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As essenciais Invisíveis

Mulheres na linha de frente contra o Covid19. Trabalham de olho no reconhecimento e em melhores condições de conciliar a profissão com a vida familiar

É fato que a realidade da sociedade está mudando aos poucos e muitos já compreenderam que não cabe apenas à mulher as responsabilidades de cuidar e manter as atividades de uma família, seja qual for a sua composição, ou quantas pessoas nela possuem. No entanto, a junção nomeada “família” precisa urgentemente tomar a forma da sociedade atual; o modelo do século XIX, presente em dias atuais não atendem à demanda necessária da população. Em suas diferentes classes sociais e todas as ramificações, quando o assunto é desigualdade, as mulheres da classe trabalhadora vivem isso de forma cruel e desgastante.

A realidade precisa mudar, e deixar de sacrificar as suas mulheres. É a consciência vindo á tona, é preciso dar um basta!

Mulheres na linha de frente contra o Covid19.

Vivenciamos atualmente tempos difíceis, o evento da Covid 19 espalhado pelo mundo, além de apavorar, exterminar e imobilizar as pessoas, traz consigo outras realidades percebidas, ou ao menos salientadas a partir de sua existência. Lógico que não há duvidas em relação aos males causados pela doença; poderíamos ficar horas e horas discutindo o quanto ela é devastadora, e como existem diferentes formas de viver esta realidade a partir da classe social de cada núcleo familiar, mas gostaria de chamar a atenção para outro dado, tão importante quanto estes citados. O essencial, que não deveria ser invisível, mas é! Talvez por se tratar de comportamentos considerados “normais” durante muito tempo não é visto como “errado”, ou no mínimo injusto. Mulheres na linha de frente contra a Covid 19, mas não apenas no setor da saúde, em todo o setor de suporte ao isolamento social.

A análise que proponho será iniciada pelas profissionais da saúde, que somam cerca de 80% da equipe, principalmente na área da enfermagem e agentes comunitários, como mostra a tabela a seguir.

Profissionais de saúde das categorias de Medicina, Enfermagem e Atenção Básica em Saúde segundo sexo, no Brasil

Fonte: Ernandes e Vieira, 2020. Disponível em ANESP.

Diante dessa realidade, vale lembrar que essas mulheres, em sua maioria são mães, e também possuem suas famílias, pais, estudam, conciliam dois empregos, etc. Que estas profissionais são grandes “heroínas” por prestar cuidados às pessoas neste momento crítico não é novidade, mas isto se multiplica ao pensar nelas também na linha de frente de suas famílias. O fato é que geralmente elas precisam lidar com a escola dos filhos, alimentação, cuidados básicos. Carregam preocupações com cuidados redobrados para evitar uma possível contaminação das pessoas com quem mora. E é claro que precisamos considerar a pressão psicológica que acontece no seu posto de trabalho.

O desafio de conciliar a profissão com a vida familiar

Este mesmo modelo familiar se estende pelos lares de diversas mães brasileiras, desde aquela que arca sozinha com todas as despesas, com muitas ou poucas pessoas e com rendas diferentes, e quanto menor a renda dessa mulher, mais penosa a realidade dessas pessoas. Independente da profissão ou ofício dessa mulher, se ela trabalha para sobreviver, também cumpre o papel de conciliar a vida operária com os afazeres domésticos.

Lógico que sabemos que alguém precisa fazer este papel, esta manutenção deve ser feita por alguém. Mas por que apenas por mulheres? Até quando este fardo nos será repassado de geração em geração como se pertencesse a nós a partir do gênero! Somos seres humanos como todos os outros, não possuímos superpoderes, ou força extrema que justifique dedicar 21 horas semanais às funções domésticas enquanto os homens dedicam 10 (IBGE). Os homens também trabalham, e se cansam, mas não são mais os únicos “provedores” do lar, e se este papel está sendo dividido, nada mais justo e óbvio ambos terem responsabilidades equivalentes nas outras áreas, inclusive no que diz respeito aos cuidados com filhos, e tudo o que engloba uma unidade familiar.

O necessário reconhecimento das mulheres na linha de frente da Covid 19

A realidade diz que as mulheres podem desde estudar, participar da política, votar, trabalhar e exercer direito de ir e vir… Só não se esqueça de lavar a louça!

Ou seja, continua a ser esperado e designado à nós tais atribuições.

Estas atividades serão eternamente nossas? Teremos então o “direito” de sermos exploradas?

A sociedade exige uma funcionária excelente, psicológico nota 10! Centrada, equilibrada, bem vestida, muito bem cuidada esteticamente e com disponibilidade ímpar para dar conta do seu trabalho com a dedicação e engajamento que a profissão exige. Assim também, cobram mães participativas na vida dos seus filhos, e conscientes de sua responsabilidade diante da criação de um ser humano. O “engraçado” é que estas e outras exigências não mencionadas aqui são direcionadas para a mesma mulher. Podemos fazer uma conta simples de horários ou funções, que logo se percebe: a conta não fecha! Isto sem mencionar o fator “ser humano”. Mulheres também adoecem, têm diversos problemas relacionados ao aspecto financeiro, pensão não paga, etc. Fico pensando de onde sai tanta coragem e embasamento para tantas cobranças, e como nós mulheres ainda nos culpamos tanto.

A necessidade de melhores condições

O modelo capitalista também tem o seu papel de responsabilidade neste modelo contínuo de condição construídos a partir de crenças ultrapassadas e infundadas. Então eu pergunto: qual é o papel do Estado diante dessa realidade? Deixamos as nossas crianças em casa, tornamos possível a engrenagem da produção e o funcionamento da sociedade como ela é; sem trabalhadoras não existe sistema financeiro, econômico e tudo o que isso engloba.

Imagine se TODAS as mulheres ficassem em casa a partir de agora. Como ficaria o mundo?

Não irei me prolongar, deixarei aqui uma reflexão.

Seria interessante que o Estado ampliasse os equipamentos que auxiliam as famílias?

Hoje temos creches, escolas, entre outros auxiliares ligados à educação.

Mas ajudaria se existissem lavanderias, locais de alimentação com preço justo, entre outros serviços, que além de gerar mais empregos movimentaria de forma mais abrangente as famílias brasileiras?

Afinal, para quem trabalhamos de verdade?

Para o momento, um pedido.

Mulher, pare e respire! Reveja o que foi dito para você como certo a vida toda, e reveja suas crenças a partir da sua realidade. Interiorize-se nestes tempos de isolamento, e reflita quanto ao que é certo na prática do seu dia a dia. Não dá para continuar a se martirizar como se você fosse a causadora de todos os males.

As pessoas precisam aprender a fazer a parte que lhe cabem, e não deixar tudo para uma pessoa como se isso fosse um legado feminino, não deve mais ser assim.

Mulheres precisam compreender isso para que as outras pessoas também percebam.

Praticar e ensinar o autocuidado também é cuidar do outro.

Lave as mãos, se cuide, você não é apenas importante para a sua casa, ou para ajudar as pessoas. Você é um ser humano, e também merece descanso e paz.

Á todas as mães de famílias, o nosso reconhecimento.

E que siga a luta por dias melhore, em todos os campos.

Grazy Nazario.

Quer saber mais sobre o poder feminino? Visite o blog da autora clicando AQUI.

Quer aprender mais sobre diversos assuntos pessoais e profissionais? Leia as matérias do blog do Liceu CDI clicando AQUI.

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